O que não fazer quando o seu filho faz birra.

O que não fazer quando o seu filho faz birra.

A maioria dos sites e blogs te diz o que e como fazer quando seu filho faz birra. Do contrário, vou te dizer o que não fazer quando seu filho faz birra, ou caso ele apresente um comportamento inadequado se negando a seguir regras. As vezes temos vontade de simplesmente ignorar aquele ataque de birra, ou aquele choro que não acaba mais, e sumir.

Se você ignorar as birras do seu filho, será que elas desaparecem? Esta pergunta se aplica a tudo: crises de birra, excesso emocional, choro, raiva ou medo, independente do comportamento que ele apresente, se você não tiver uma atitude assertiva, esse comportamento inadequado poderá sair do controle e você perderá a razão. À primeira vista, você poderá pensar que sim. A verdade é que se você ignorar estas emoções você deixará sérias consequências psicológicas no seu filho.

Saiba que ignorar quando seu filho faz birra não ajuda faça um favor aos seus filhos: pare de ignorá-los em tempos difíceis. Não faça isto. Seus filhos merecem apoio emocional, e isso também se aplica quando eles estão bem.

Seguidamente vemos postagens no Instagram de contas com milhões de seguidores, onde eles compartilharam a dica número um, para lidar com as birras do seu filho: ignorá-los. Não faça isto!

Na prática como funciona, vamos entender o efeito de ignorar uma emoção negativa em uma criança. Vou descrever duas situações diferentes como exemplo:

Você está andando de bicicleta com seu filho num domingo ensolarado, ele cai na calçada, arranha o joelho e ao ver o sangue, começa a chorar. Não conheço o primeiro pai ou mãe que me perguntasse, nesse caso, seria aconselhável deixar a criança sozinha no chão chorando. O instinto materno não questiona a necessidade de ajuda, contenção e carinho.

Agora vamos ver outro caso semelhante:

Uma criança se joga no chão, chora e chuta, grita, fica completamente frustrada por não ter seu pedido atendido, sua frequência cardíaca acelera, seus músculos contraem e seu cérebro libera cortisol (descrição gráfica de uma birra, se houver alguma dúvida). Será que é aconselhável deixá-lo em paz e ignorá-lo.

Ambos os cenários são idênticos em termos de desenvolvimento. Os níveis emocionais de choro ao ver o joelho sangrando e cortisol exigem que um adulto o acompanhe e console. E novamente você me pergunta, se eu ignorar vai passar, ele vai se acalmar sozinho…” Com certeza NÃO!

A expressão de uma emoção atinge a catarse. Em palavras mais simples: a liberação emocional alcança a cura.

Quando a emoção é suprimida e acumulada, ela não desaparece, ela é reprimida e procura uma maneira de surgir, por exemplo, como um sintoma psicossomático, uma doença física ou como comportamento escalonado (agressividade).

Uma criança chorando deitada no chão

Para os cientistas, o comportamento raivoso e choroso tem relação direta com o desenvolvimento do cérebro dos pequenos. Durante um acesso de “birra”, a criança não está raciocinando, e sim sendo comandada pelas emoções. Seu filho precisa de você para traduzir em palavras os sentimentos que ele não consegue nomear, você é a força reguladora do seu filho, porque ele não será capaz de se acalmar sozinho, e isto aplica-se a crianças de 0 a 7 anos, no mínimo.  

Devido à maturação cerebral, a criança NÃO é capaz de regular suas emoções sem um adulto para acompanhar, modelar e orientar. Seu córtex pré-frontal não é desenvolvido o suficiente para processar emoções e diminuir os níveis de excitação sem ajuda externa.

O que você vê após quinze minutos de uma criança chorando sozinha ou depois de meia hora de uma criança no chão enfurecida, não é calma: é fadiga e repressão, a emoção negativa não desaparece, vocês dois perderam essa batalha: você e seu filho.

Apontar caminhos e sugerir atividades criativas, elaborar uma rotina saudável onde a família possa compartilhar momentos de descontração e prazer.

Costumo utilizar uma metáfora com meus pacientes, a metáfora de um balão. O ar representa a raiva ou a tristeza, eu posso inflar este balão aos poucos, ele vai ficando cada vez maior, não importa a quantidade de ar que caiba, em algum momento meu balão não aguentará nem mais um pouco e explodirá, o balão vai estourar. Temos que evitar que esse balão estoure.

Deixá-lo ter sua birra, deixá-lo chorar ou ficar com raiva, não é suficiente, apenas uma maneira de ignorar, você não está ajudando-o a se regular e aprender o que fazer com o que ele sente.

Em vez de ignorar você precisa mostrar uma saída, e não apenas de deixá-lo sentir, mostrar uma saída para a emoção que parece prendê-lo nesta frustração. Você deve estabelecer um contato físico quente com seu filho, abraçando, criando empatia, nomeando e validando as emoções que ele está sentindo. Você precisa mostrar a saída para o seu filho.

Respirar e mover o corpo para restaurar o sistema nervoso. Cheira a florzinha e apaga a velinha – funciona.

Procure estratégias corretivas para o problema que causou a emoção em primeiro lugar, você deve descobrir o que o leva a ter esse comportamento descontrolado e antecipar possíveis soluções.

Assista o vídeo abaixo e veja como a mãe de Daniel o ajuda. Daniel é um adorável filhote de tigre que mora com seu pai e sua mãe. Com a ajuda dos seus vizinhos e amigos, ele se diverte enquanto aprende as habilidades necessárias para lidar com a sua vida e a escola.

Conectar-se com uma criança chateada não tem nada a ver com dar a ele o que ele quer, não é ceder ou perdoar. Tem a ver com dar ao seu cérebro o que ele precisa.

Quando temos medo de suas birras, e em vez de vê-la como uma resposta desejada e uma oportunidade de crescimento mútuo, nós os evitamos, estamos piorando a situação em vez de enfrentá-las.

Enfurecer-se prometendo castigos e punições não vai funcionar. Se você é daqueles que vive dizendo “Vou lhe dar uma verdadeira razão para você chorar, em casa a gente conversa”  ou pensa que ignorar seu filho deixando-o sozinho até que ele se acalme, também esta cometendo um erro.

Ao prometer uma punição ou ignorar, você está perdendo a oportunidade para aprender a regular e gerenciar suas emoções, aprender a nomear o que seu filho sente e desta forma não o ajudará a conectar-se com seu próprio corpo, transformando-o em um adulto desequilibrado, incapaz de entender o que está sentindo, incapaz de comunicar suas necessidades de forma assertiva.

A partir de agora, sempre que você testemunhar a emoção de seu filho, diga: “Ótimo! Terei uma oportunidade para ajudar o cérebro do meu filho a se desenvolver, graças à minha resposta intencional.”

O abraço de uma mãe tem poder curativo para seu filho

Quando estiverem juntos, privilegie este momento com a qualidade da relação, não procure compensar o tempo longe com presentes, e sim com atitudes.

Brinque de rolar no chão, guerra de travesseiros, esconde-esconde, faça massinha, conte estórias, ou simplesmente abrace seu filho.

Desta maneira você aprenderão a se comunicar com o olhar, a “ler” o pensamento um do outro, a se compreenderem cada vez mais. Ficará muito mais fácil para ele entender quando for a hora de brincar, de parar, de dormir, do que pode e do que não pode. 

E nunca minta para o seu filho, não prometa o que não poderá cumprir. Não esqueça que as pequenas decepções causam revolta que involuntariamente transformam-se em birras e manhas, em comportamentos desagradáveis.

É essencial assumir a sua parcela de responsabilidade nessa mudança de comportamento do seu filho e, se for preciso, na sua também.

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2 comentários em “O que não fazer quando o seu filho faz birra.”

  1. Olá
    Mas o que fazer no caso de uma criança com 4 anos que sempre foi tratada com muito carinho e atenção, mesmo assim está agressiva, briga e se empurra por tudo, bate nas pessoas e tem ataque à de fúria chegando a urrar e ainda segura o choro? Não sabemos mais como lidar com isso!
    Agradeço desde já uma orientação!

    1. Olá Maria Aparecida, seu filho pode estar apresentando sintomas de TOD (Transtorno Opositivo Desafiador), sugiro que procure ajuda de uma psicóloga. Algo não está bem e talvez seu filho não saiba te mostrar o que esta sentindo.
      Sempre digo que aos pais que a melhor saída é o amor, paciência e muita conversa com os filhos, mas as vezes a situação sai do nosso controle e precisamos de ajuda profissional.
      Um abraço.
      Inez

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